TOCAR OU NÃO AS CHAGAS DO CRUCIFICADO/RESSUSCITADO
uma leitura pragmalinguística de Jo 20, 24-29
DOI:
https://doi.org/10.46525/ret.v40i2.1911Palavras-chave:
pragmalinguística; tocar; fé.Resumo
O artigo aprofunda a compreensão da passagem bíblica de João 20,24-29, que narra o encontro entre Jesus ressuscitado e Tomé, através da abordagem pragmalinguística. A abordagem pragmalinguística, que emergiu no contexto da virada linguística do século XX, reintroduziu no debate acadêmico a importância de integrar os aspectos sincrônicos e diacrônicos do texto. Isso permitiu que se respeitasse a autonomia da obra literária enquanto texto, enquanto, simultaneamente, valorizava-se a dimensão comunicativa ao envolver o leitor no jogo linguístico e comunicativo que o texto propõe. A necessidade de expandir os métodos de interpretação bíblica começou a ser reconhecida a partir da década de 1960, quando se percebeu que as análises focadas na intenctio autoris haviam se tornado limitadas. Dado o caráter intrinsecamente comunicativo da Bíblia, surgiu a demanda por novos métodos e abordagens que favorecessem a exploração contínua de sua riqueza de significados perenes. Ao analisar a linguagem em seu contexto de uso, a pesquisa revela como a interação entre os personagens e a estrutura textual moldam a compreensão da fé e da dúvida. A pragmática demonstra que a linguagem não é apenas um meio de comunicação, mas também uma ferramenta para construir significados e influenciar as ações das pessoas. As palavras de Jesus, expressas em comandos e declarações, possuem um poder transformador, levando Tomé e outros personagens a agir de determinada forma. A história de Tomé, inicialmente incrédulo, serve como um modelo para compreender a jornada da fé. Ele impõe a condição de tocar nas chagas do Crucificado/Ressuscitado para acreditar. A análise pragmática demonstra que a fé não é apenas uma crença intelectual, mas uma experiência vivida que se manifesta através da linguagem, das ações e das relações interpessoais. A comunidade cristã, por sua vez, com base no testemunho apostólico, desempenha um papel crucial na formação da fé e na transmissão da mensagem de Jesus. Jesus não Se revela ao “mundo”, segundo a linguagem joanina, mas dentro da comunidade daqueles que vivem a nova realidade do amor, ensinada e realizada pelo próprio Senhor.

