O PRINCÍPIO DA GOVERNANÇA COMUNITÁRIA EM 2COR 9,6-10 E A ORDEM BIOPOLÍTICA
uma análise teológica e filosófica
DOI:
https://doi.org/10.46525/ret.v40i2.1973Palavras-chave:
Paulo Apóstolo; 2Corintios; liderança servidora; governança comunitária; biopolítica.Resumo
Este estudo oferece uma análise interdisciplinar entre teologia e filosofia, explorando o conceito de governança comunitária presente na passagem bíblica de 2Cor 9,6-10. O texto contrasta a lógica biopolítica, que se baseia no controle e gestão da vida humana, com a visão paulina de uma economia baseada na graça, generosidade e reciprocidade. A governança comunitária, conforme proposta por Paulo, enfatiza a solidariedade, a justiça distributiva e o cuidado com os mais vulneráveis, desafiando as estruturas de poder centralizadas e excludentes da biopolítica. Partindo do conceito de biopolítica, formulado por Michel Foucault e aprofundado por Giorgio Agamben, o estudo contrapõe a lógica da gestão da vida e do controle social à economia da graça presente no Novo Testamento. A análise de 2Cor 9,6-10 enfatiza a metáfora agrícola da semeadura e colheita, demonstrando que a generosidade cristã não apenas promove a justiça distributiva, mas também fortalece laços comunitários e desafia a fragmentação social. A pesquisa também dialoga com o modelo de liderança servidora, de Robert Greenleaf, ressaltando que a governança comunitária exige líderes comprometidos com o bem comum e a solidariedade. Além disso, o estudo também estabelece paralelos entre a prática da partilha nas comunidades cristãs primitivas (At 2,42-47) e as implicações contemporâneas desse princípio na construção de comunidades mais inclusivas e justas. Conclui-se que a governança comunitária paulina não apenas oferece uma alternativa às dinâmicas biopolíticas excludentes, mas também propõe uma reorganização ética e estrutural da sociedade baseada na reciprocidade, na partilha e na confiança na provisão divina.

