JOÃO 21, UM RESGATE DA COMUNHÃO NAS ORIGENS DO CRISTIANISMO
DOI:
https://doi.org/10.46525/ret.v40i2.1974Palavras-chave:
quarto evangelho; evangelho de João; João 21; comunhão; Grande Igreja; Pedro.Resumo
Quando o cristianismo deixa de ser apenas um grupo dentro do judaísmo e passa a formar a “Grande Igreja” – a Católica –, a partir de comunidades cristãs de diversas procedências e dispersas em todo o Império Romano, a convergência na comunhão ao redor da figura do apóstolo Pedro se torna um elemento de grande relevância. Este elemento não existe, porém, na Comunidade Joanina. Quando ela perde parte de seus membros para a heresia gnóstica, por falta de um garante de unidade interna, e reconhece sua dificuldade de comunhão na “Grande Igreja” por causa da proeminência de Pedro, a escola joanina decide acrescentar um capítulo ao seu Evangelho a fim de reconduzir seus membros à plena comunhão. É neste ambiente tardio que se dá a redação de Jo 21, em continuidade com o restante já consolidado do Quarto Evangelho. Em Jo 21, Pedro, colocado em segundo plano em relação ao discípulo amado em todo o restante do Quarto Evangelho, é agora apresentado como discípulo amado e amante, de forma a provocar os leitores do Evangelho de João à necessária comunhão interna da Comunidade com Pedro e a “Grande Igreja”. Neste estudo, percorre-se a história das origens da “Grande Igreja” e da Comunidade Joanina, ressaltando suas etapas. Considera-se a relação entre Pedro e o discípulo amado, através dos seus sinais de proeminência no Quarto Evangelho (Jo 1–20), nos Evangelhos Sinóticos e em Jo 21. E apresentam-se os argumentos que corroboram a tese de que Jo 21 é um acréscimo posterior em relação dialética com o corpo do Quarto Evangelho.

