Hospitalidade e Acolhimento
fundamentos teológicos e éticos do encontro com o outro
DOI:
https://doi.org/10.46525/ret.v41i1.2030Resumo
Este artigo tem como finalidade aprofundar a percepção da hospitalidade como uma categoria teológica e uma prática ética, examinando de forma crítica suas origens bíblicas e filosóficas, além de suas repercussões na missão atual da Igreja. Objetiva-se evidenciar que a hospitalidade vai além do simples gesto de acolhimento, requerendo uma recepção genuína do outro e o reconhecimento pleno de sua dignidade. As fundamentações bíblicas da hospitalidade foram analisadas, enfatizando como o Antigo Testamento orienta práticas de acolhimento e proteção ao estrangeiro, e como o Novo Testamento, principalmente por meio do conceito de koinonia, expande essa ética para uma experiência comunitária centrada no amor e na inclusão. As contribuições filosóficas de Emmanuel Lévinas e Jacques Derrida foram examinadas, uma vez que ambos compreendem a hospitalidade como uma abertura radical à alteridade, transcendendo limites religiosos e sugerindo uma hospitalidade incondicional. A identificação da Comunicação Não Violenta como uma ferramenta essencial para promover uma hospitalidade autêntica é outra dedução significativa. Ao promover o diálogo, o respeito mútuo e a valorização das diferenças, essa estratégia ajuda a criar comunidades eclesiais genuinamente acolhedoras e inclusivas. Ao interligar tais dimensões, o artigo argumenta que a hospitalidade cristã não deve ser limitada a uma mera virtude social, mas reconhecida como uma identidade teológica e missional de importância significativa, capaz de ressignificar a função da Igreja na sociedade atual. Conclui-se que a hospitalidade, sob essa perspectiva ampliada e crítica, se estabelece como um compromisso fundamental e transformador, sustentando a missão evangelizadora e a formação de comunidades que manifestam o Evangelho por meio do acolhimento e da valorização da diversidade.

