Precariedade humana, opção pelos frágeis e amor salvador
uma teologia do reconhecimento e da encarnação ferida
DOI:
https://doi.org/10.46525/ret.v41i1.2039Palavras-chave:
precariedade; reconhecimento; opção pelos pobres; encarnação; amor salvador; salvação.Resumo
Este artigo investiga a relação entre precariedade humana, opção pelos frágeis e amor salvador, articulando filosofia contemporânea e teologia cristã. Parte-se da compreensão da precariedade como condição ontológica e relacional da existência, conforme desenvolvida por Judith Butler em Quadros de Guerra, evidenciando que, embora universal, a vulnerabilidade é distribuída de maneira desigual, produzindo vidas invisibilizadas e não reconhecidas. Em diálogo com a teologia latino-americana de Jon Sobrino, especialmente em Fora dos Pobres Não há Salvação, sustenta-se que a centralidade dos pobres e das vítimas constitui critério hermenêutico indispensável para compreender a salvação cristã. A cristologia da encarnação ferida, aprofundada por Antonio Spadaro, revela um Deus que assume a precariedade na própria carne, cujas chagas permanecem como memória do sofrimento injusto. Por fim, à luz da reflexão de Raniero Cantalamessa em Eros e Ágape, argumenta-se que o amor, enquanto Ágape que eleva o Eros, constitui a forma histórica da salvação, transfigurando a vulnerabilidade em comunhão e justiça. Conclui-se que a salvação cristã não elimina a precariedade, mas a transforma pelo reconhecimento e pelo amor, configurando uma teologia na qual fragilidade e comunhão se tornam dimensões constitutivas do humano e do divino.

