Empatia e diálogo intercultural
possibilidade de enfrentamento da indiferença
DOI:
https://doi.org/10.46525/ret.v41i1.2052Palavras-chave:
Empatia; diálogo intercultural; indiferença; fenomenologia; Edith Stein.Resumo
Este artigo analisa a empatia como categoria central para o enfrentamento da indiferença e para a promoção do diálogo intercultural na sociedade contemporânea, a partir da fenomenologia desenvolvida por Edith Stein. Em um contexto marcado pela globalização acelerada, pela convivência entre múltiplas culturas, religiões e identidades e, simultaneamente, pelo aumento da fragmentação social, a indiferença emerge como um dos principais obstáculos ao reconhecimento da alteridade e à construção de vínculos comunitários significativos. O estudo sustenta que a empatia, longe de ser reduzida a uma mera simpatia afetiva, constitui uma vivência intencional e relacional que possibilita ao sujeito acolher o outro em sua singularidade, sem anulá-lo nem assimilá-lo às próprias categorias de compreensão. Com base no método fenomenológico, o artigo evidencia que a empatia opera como via de acesso à alteridade e como processo formativo da pessoa, integrando as dimensões psíquica, intelectual e espiritual da existência humana. A partir das contribuições de Stein, demonstra-se que o reconhecimento do outro favorece não apenas a compreensão intercultural, mas também o autoconhecimento e a responsabilidade ética, ao revelar a interdependência constitutiva entre identidade pessoal e relação. Nesse sentido, a empatia funda uma ética relacional capaz de sustentar práticas educativas, sociais e religiosas orientadas ao diálogo e à convivência plural. O texto discute ainda as implicações da empatia para o diálogo intercultural e inter-religioso, destacando seu papel na superação de preconceitos, na leitura das expressões culturais e religiosas e na construção de uma humanidade compartilhada. Por fim, argumenta-se que a empatia, enquanto prática cotidiana e horizonte ético, oferece critérios para enfrentar a indiferença contemporânea e para promover comunidades mais justas, solidárias e abertas à diversidade, contribuindo de modo significativo para o debate filosófico, educativo e social atual.

